Obter lucro é necessário, mas não é suficiente!

É certo, e de fato  já   está mais ou menos assimilada, a ideia de que a continuidade a longo prazo de uma empresa depende da capacidade dela de satisfazer suas partes interessadas: proprietários, clientes, colaboradores, fornecedores, prestadores de serviço, comunidade, poder público, entre outros.

No entanto, falando apenas em termos econômicos e financeiros,  muita gente dá importância somente ao lucro. “Havendo lucro, tudo bem!” Dizem eles!

Continuando apenas nessa perspectiva econômica e financeira, é de primordial importância entender que obter lucro em cada período  não basta. A continuidade da empresa depende de suas operações resultarem em lucro e também gerarem caixa.

Alerto para a conjunção “e” e não “ou”. Alerto também para o fato de que precisa ser caixa gerado pelas atividades operacionais.

Atividades operacionais são aquelas  ligadas diretamente ao negócio da empresa sem considerar os financiamentos e investimentos. Ela recebe de seus clientes (Entradas operacionais) e paga seus fornecedores, prestadores de serviços, colaboradores, impostos, etc (Saídas operacionais).

A diferença entre Entradas e Saídas, num dado período, é o caixa gerado, se positivo (Entradas > Saídas) ou, consumido, se negativo (Entradas< Saídas).

O problema é que o dinheiro que vem do recebimento de clientes se mistura com o dinheiro que vem de atividades de financiamento da empresa, por exemplo, aportes de capital e empréstimos bancários, e também com o dinheiro que vem de atividades de investimento, por exemplo, o dinheiro recebido da venda de algum imobilizado. Dá mesma forma, a mistura ocorre com as saídas e, assim, a administração pode não estar percebendo se o negócio por si mesmo vem gerando ou consumindo caixa, independente das movimentações por financiamentos e por investimentos.

Admitir consumo de caixa em alguns períodos curtos é razoável. Porém admitir isso por anos consecutivos não é razoável. Em algumas situações alguém  pode justificar:  “Realizamos nosso negócio por meio de empreendimentos (projetos) tomadores de caixa no curto prazo e retorno no longo prazo.” Pois eu digo: Trate de equacionar a realização dos empreendimentos, de forma a equilibrar a geração de caixa, com alguns empreendimentos no estágio de  consumo e outros  no estágio de geração de caixa, período a período.  Outra situação que alguém pode justificar: “Estamos crescendo  e com isso estão crescendo o contas a receber e os estoques. São ativos nossos”. Pois eu digo: trate de equacionar o crescimento numa taxa que preserve o equilíbrio do caixa.

Equilibrar o caixa sempre com empréstimos e financiamentos leva ao crescimento do endividamento e junto a despesa com juros o que vai reduzir o lucro. Isso se não for controlado poderá levar a empresa para uma situação em que o lucro operacional não seja capaz de fazer frente ao montante de juros a pagar  e a situação  fica difícil.

O que recomendamos para isso não acontecer de forma inadvertida é requerer que a demonstração do fluxo de caixa siga as boas práticas separando o fluxo de caixa pelas atividades operacionais, fluxo de caixa pelas atividades de financiamento e fluxo de caixa pelas atividades de investimento. Monitorar sempre o caixa gerado (ou consumido) pelas atividades operacionais. Engajar as pessoas das diversas áreas para assegurar  estratégias, decisões, ações e procedimentos para  geração de caixa e não consumo. Se começa ocorrer períodos sucessivos de consumo de caixa, trate de engajá-los numa mudança com plano de ação integrado para voltar e manter a situação de geração de caixa.
Reafirmo, ter competência para buscar o financiamento que a empresa precisa é muito importante, mas talvez, seja  mais importante ainda ter competência para equilibrar o caixa pelas atividades operacionais. Isso é certamente competência  coletiva , de conjunto.

É o que eu penso.

Um abraço a todos e vamos em frente com  lucro, equilíbrio do caixa, estoques e contas a receber baixos e estrutura de capital saudável.

Vitória, 02/07/2014.

Manoel Lopes Filho
© 2014 Lopes Consultoria Empresarial LTDA - EPP
MANOEL CONSULTORIA
Rua Darcy Grijó, 50, Ed. Madson Office Tower, Sala 608
Jardim da Penha, Vitória/ES - CEP: 29.060-500
Siga nossa redes sociais: FAcebook Linkedin Youtube
Desenvolvido pela: Aldabra criação de website